sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Com 40 mil obesos na PB, procura por cirurgia bariátrica aumenta e pacientes dizem 'renascer'

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Danielli incentivou a mãe a fazer a cirurgia
Danielli incentivou a mãe a fazer a cirurgia
Mais uma chance para recomeçar a vida. É assim que um grupo de amigos, que passou por procedimento cirúrgico para redução do estômago e consequente perca de peso, define a nova fase pela qual estão vivendo atualmente. Auto intitulados como ‘Águias e Borboletas’, os ex-gordinhos agora ‘voam’ em busca da liberdade e deixam para trás a prisão construída com a gordura adquirida ao logo de vários anos.
Pelo preconceito em casa, na rua ou no trabalho, pela busca da saúde e melhoria da qualidade de vida, pela autoestima abalada, pelo resgate da vaidade ou, sobretudo, por real necessidade. Muitos foram os motivos que os levaram a procurar um médico cirurgião, especialista no aparelho digestivo para combater um inimigo alimentado diariamente por eles mesmos, chamado ‘obesidade’.
Segundo os especialistas, cerca de 40 mil pessoas atualmente na Paraíba são portadoras da obesidade e quatro mil são submetidas à cirurgia bariátrica, por ano.
Existem vários tipos de cirurgias relacionadas à propensão da perca de peso dos pacientes. Atualmente, 90% delas é feita através do método By-pass, que consiste em diminuir o máximo possível da câmera gástrica auxiliada a pouca absorção do intestino, fazendo com o que o paciente perca aproximadamente 40% do seu peso, em até 12 meses.
Indicações e contraindicações
De acordo com o cirurgião especialista no aparelho digestivo, Augusto Filho, todas as pessoas que possuem Índice de Massa Corporal (IMC), acima de 40, mantendo o peso pelo período de no mínimo dois anos, deve passar pela cirurgia, caso não obtenham sucesso com outros métodos. “Também é indicado para aquelas pessoas que possuem IMC, a partir de 35 e mantém algum tipo de problema por conta da obesidade, como hipertensão, diabetes, apneia do sono e outras’.
A cirurgia não é indicada para pessoas com problemas relacionados a vícios como álcool e drogas, sem condições psicológicas, com cirrose ou insuficiência renal. Ou ainda, demais problemas que possam comprometer o processo pós-operatório.
Há 12 anos, Augusto Filho realiza este tipo de operação na Paraíba, onde cerca de 1.500 pessoas foram operadas, ao longo deste período. Entre os demais profissionais responsáveis pelo acompanhamento dos pacientes estão a nutricionista Luciana Franca, a psicóloga Cléa Lúcia e o gastroenterologista, Eduardo Franca. “Como cirurgiões somos artesãos e os artesãos querem ver o produto final. Me realizo ao vê-los bem, ao ver a felicidade dos pacientes”, ressalta o cirurgião.
Bullying, preconceito e superação
Com apenas três meses após a cirurgia, a jovem Jaqueline Moura, de 29 anos, já eliminou 25kg. Para ela, o excesso de peso sempre foi um vilão que a acompanhou ao longo dos anos. Jaqueline revela que sofria bullying desde criança, por conta dos quilos extras. “Quando criança era chamada de jaca podre e baleia assassina. Estes eram meus apelidos mais ouvidos, que além de me magoarem causaram dores de cabeça aos meus pais que de vez em quando eram chamados à escola para conversar sobre meu comportamento”.
Jaqueline sofria bullying quando criança
Foto: Jaqueline sofria bullying quando criança
Jaque, como é chamada hoje pelos amigos também bariátricos, lembra ainda, que até em oportunidades de empregos já foi descriminada por conta da obesidade. ‘Uma vez fui demitida e advinham o que o supervisor me falou, que eu não estava nos padrões para continuar trabalhando ali”.
Hoje em dia, Jaqueline diz que após a cirurgia ela ganhou muito mais do que ‘asas’, ganhou o prazer de viver, sem ser tachada, rotulada, excluída ou incluída nos grupos por pena. “Ganhei mais uma família, a do CTMO, pessoas fantásticas com história de luta e vitória, por que me considero sim, uma vencedora, pois conquistei a vida que estava esquecida, Deus me deu uma nova chance’.
Na expectativa para ‘voar’
Antes da cirurgia, os médicos recomendam que o paciente permaneça se alimentando apenas de líquidos como leite, iogurtes, sucos e sopas. É nesta fase em que se encontra a pedagoga Ysy Lelis, de 34 anos e que pesa 123kg. Ela ainda se prepara para o procedimento, que será realizado no dia 21 de fevereiro, mas já integra o grupo dos ‘Águias e Borboletas’.
Ela revela que antes de procurar pela bariátrica, tentou fazer dieta por diversas vezes e tomou remédios para emagrecer, mas em nenhum dos métodos ela conseguiu alcançar o resultado desejado.
“Não aceitava criticas e opiniões sobre o meu peso, apenas tentava escondê-lo com uma boa maquiagem e um cabelo bem penteado. Acordei em uma manhã ensolarada, olhei o espelho e vi meu corpo [risos]...há anos não fazia isso. Foi então que decidi que iria viver, viver por mim, por meus filhos e marido’.
Ysys Lelis aguarda pela cirurgia
Foto: Ysys Lelis aguarda pela cirurgia

Tal filha... Tal mãe; juntas, eliminaram 85 quilos
A administradora Danielle Cristine Dias Oliveira, de 32 anos, atualmente com 70kg, inspirou a mãe, a empresária Ana Cristina Dias, de 58 anos, a passar pela bariátrica. A filha, que há um ano pesava 123kg, já conseguiu eliminar 53 kg. “Estou ótima, muito satisfeita e feliz, porque hoje eu vivo”, comemora Danielle. A mãe, que há 9 meses reduziu o estômago, perdeu 32kg, baixando de 115kg para 82kg, atualmente.
Danielle Cristina tinha 127Kg e hoje pesa 70kg
Foto: Danielle Cristina tinha 127Kg e hoje pesa 70kg

As tentativas de emagrecer, sem sucesso, estimularam Ana Cristina a seguir os passos da filha. “Foram anos de tentativas frustradas, com dietas absurdas, uso de medicamentos incontroláveis, saúde prejudicada pela diabetes, pressão alta, dores nas articulações e sempre naquela esperança de dizer que ia emagrecer. Mas isso não passava de uma ilusão. Foi quando resolvi dar uma reviravolta e um novo rumo a minha vida’.
Empresária Ana Cristina perdeu 32kg
Foto: Empresária Ana Cristina perdeu 32kg
‘A bariátrica trouxe minha vida de volta’
“Caso você me pergunte se me arrependo de ter feito a cirurgia bariátrica, com certeza, minha resposta será nunca”. A afirmação é de Fernanda Myriam, de 38 anos, que já pesou 113 kg, mas hoje em dia, marca na balança 83kg, trinta a menos do que pesava antes da cirurgia feita há cinco meses.
“Hoje posso dizer que a bariátrica trouxe minha saúde de volta. Por causa da obesidade já não tinha vontade de sair de casa, era uma luta para comprar uma roupa nova, pois nas lojas onde vendiam roupas do meu agrado, não existia nada do meu tamanho, isto me deixava muito deprimida”, lembra ela.
Fernanda ressalta ainda, outros problemas que mantinha por conta do excesso de peso. “Por causa da obesidade não conseguia mais dar o laço nos meus sapatos, muito menos cortar as unhas dos meus pés, eu sempre precisava da ajuda do meu marido. Hoje a minha realidade é outra, minha autoestima está lá em cima, adoro sair para passear com meu marido e meus amigos".
Fernanda pesava 113 kg e hoje está com 83 kg
Foto: Fernanda pesava 113 kg e hoje está com 83 kg
Unidos pela mesma causa
Em João Pessoa, os integrantes do Centro de Tratamento Multidisciplinar da Obesidade CTMO, grupo liderado pelo médico cirurgião, Augusto Filho, transformaram o problema que tinham em comum, na união de uma verdadeira família. Diariamente, por meio das redes sociais, eles discutem sobre alimentação, trocam experiências e compartilham suas novas conquistas.
O grupo marca encontros semanais em restaurantes e barzinhos da cidade, levando a vida normalmente, mas com a responsabilidade de manter uma alimentação regrada e equilibrada. Dessa forma, permanecem unidos e compartilham não apenas dos momentos de dificuldades após a cirurgia, mas também, da alegria proporcionada pela nova vida.
Grupo sempre se encontra
Foto: Grupo sempre se encontra

Da Redação com Pollyana Sorrentino

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